Introdução
Núcleo Integrado de Atenção à Saúde da Mulher da 28ª Enfermaria
da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro
Serviço de Ginecologia do Prof. Silvio Silva Fernandes

A 28ª Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro está inserida no contexto da assistência à população do Estado do Rio de Janeiro, prestando atenção à população feminina carente do Estado na área de Saúde Reprodutiva que inclui atendimento em Ginecologia Infanto-Puberal , Menacme, Climatério, Anticoncepção, Mastologia, Uroginecologia e Infertilidade de maneira isolada.
Na verdade a proposta de atendimento visa cobrir todas as fases pelas quais a mulher atravessa ao longo da vida: criança, adolescente, adulta e climatérica. Cada uma dessas fases carece de atenção especializada que virá a ser suprida pelo Núcleo Integrado de Atenção à Saúde da Mulher da 28ª Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro.
Ocorre que este atendimento carece de recursos para criar o Núcleo Integrado de Atenção à Saúde da Mulher da 28ª Enfermaria da Santa Casa do Rio de Janeiro.
Este Núcleo tem por finalidade integrar o atendimento nas diversas áreas da Clínica Ginecológica, oferecendo melhor qualidade de atenção à mulher.
A 28ª Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia é, também, Centro de Referência do Ministério da Saúde para Climatério e Anticoncepção, além de ser reconhecida pela Sociedade Brasileira de Mastologia.
Nela é desenvolvido, paralelo ao atendimento médico, um setor de ensino reconhecido pelo Ministério da Educação e do Desporto (MEC), onde são ministrados cursos de Especialização (através do Centro de Estudos de Pós-Graduação da Santa Casa - CESANTA); funcionam ainda a Residência Médica e o Internato, também reconhecidos pelo Ministério da Educação e do Desporto e pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
Definições
A 28ª Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro passa, necessariamente, por uma reflexão sobre a necessidade de atenção às mulheres carentes do Estado do Rio de Janeiro, não só à gestante, mas também e principalmente às mulheres fora do período gestacional. Sem dúvida o número de pacientes necessitando de cuidados é maior fora da gestação se levarmos em consideração crianças, adolescentes, mulheres adultas e climatéricas.
Durante a infância os problemas relacionados com infeções, alterações endócrinas são os mais freqüentes. Pela própria idade, há que se oferecer local e pessoal com treinamento específicos para este tipo de atendimento.
Na adolescência, os eventos ligados à gravidez merecem destaque, já que o número de adolescentes grávidas vem aumentando. É neste período que a orientação e a oferta de métodos anticoncepcionais variados são fundamentais para o equilíbrio físico e emocional da adolescente, no que se refere a uma atitude de verdadeira saúde reprodutiva.
No menacme incidem mais os problemas ginecológicos com ênfase para as doenças benignas e malignas que geram cirurgias, muitas vezes difíceis de serem realizadas com a freqüência e a rapidez necessárias.
Entende-se por climatério a fase do processo de envelhecimento durante o qual a mulher passa do estágio reprodutivo para o estágio não reprodutivo da vida; é um período de um a dois anos que precede a menopausa (pré-menopausa), a menopausa e o período compreendido entre a menopausa e senectude (pós-menopausa).
Pelo geral a menopausa ocorre ao redor dos 50 anos na mulher brasileira, e imaginando que ela possa viver até aos 80 anos, isto significa que ela vai passar cerca de 30 anos na pós-menopausa.
Problemas Identificados e dados Epidemiológicos
É sabido e aceito pela comunidade científica mundial que, com a falência ovariana, alterações metabólicas ocorrem e fazem com que possam surgir sintomas característicos deste período que podem, muitas vezes, devido à sua incidência, provocar problemas de difícil solução para o sistema de saúde.
Assim sendo, com a menopausa, a mulher passa a apresentar problemas próprios da idade: doenças cardiovasculares (infarto do miocárdio, doença cerebrovascular), osteoporose (fraturas de colo do fêmur e coluna), etc.
Nos dias atuais, o principal papel que o médico deve desempenhar é o de prevenção das doenças.
Doenças Cardiovasculares
As enfermidades cardiovasculares são a principal causa de morbiletalidade após os 50 anos.
As alterações de lipoproteínas que ocorrem após a menopausa seriam fator de risco coronariano.
A partir da menopausa, as enfermidades cardiovasculares têm a mesma taxa de mortalidade mulher / homem.
As mudanças do hábito de vida, como: educação alimentar e atividades físicas são hoje comprovadamente os maiores fatores de defesa cardiovascular.
Osteoporose
Osteoporose é definida como uma doença caracterizada pela diminuição da massa óssea, deterioração microarquitetural do tecido ósseo levando a um aumento na fragilidade óssea e um conseqüente aumento do risco de fraturas.
A deficiência estrogênica é considerada o fator predominante da perda óssea que ocorre durante as duas primeiras décadas após a menopausa fisiológica. Conseqüentemente, isto é considerado o principal fator patogênico da osteoporose da pós-menopausa. A osteoporose que ocorre pela ooforectomia determina rápida e significativa perda óssea.
Nos EUA o impacto sócio-econômico das fraturas ósseas devidas à osteoporose são os maiores problemas de saúde pública e somente através de terapêutica de reposição estrogênica na pós-menopausa é que as sérias conseqüências da osteoporose podem reduzir marcadamente a incidência de fraturas de quadril e vértebras.
Setenta e cinco por cento de todas as fraturas na mulher acima dos 45 anos de idade são secundárias à osteoporose. Oitenta por cento das fraturas de quadril ocorrem em ossos osteoporóticos, sendo que de 15 a 34% das pacientes com esse tipo de fratura falecerão por complicações dentro de seis meses.
Câncer Ginecológico e Câncer de Mama
A faixa etária de maior mortalidade por câncer de mama e ginecológico está no climatério.
Uma entre cada oito mulheres desenvolverá câncer da mama. Da mesma forma, o câncer ginecológico de cérvice, vagina e endométrio incidem nesta faixa etária.
Daí a necessidade de um programa destinado, especificamente, para rastreio dos vários tipos de câncer incidentes na mulher ao longo da vida.
Anticoncepção
O planejamento familiar é de extrema importância em todas as fases da vida da mulher e em especial no climatério (pré-menopausa), onde a freqüência dos fatores de risco muitas vezes torna difícil a seleção do método contraceptivo que não tenha contra-indicação e apresente baixo índice de falhas.
Na gestante idosa, além de maior incidência das doenças crônicas associadas (hipertensão, diabetes, etc.), há maior risco de malformações fetais. No climatério, as opções contraceptivas diminuem, mas a escolha deve dar segurança na opção da mulher de não mais gestar.
Fazem parte da anticoncepção a educação e a informação das modificações da saúde reprodutiva da mulher.
Conclusão
Não podemos ficar à parte da problemática do atendimento às mulheres, nas várias fases de suas vidas.
As situações e os problemas referidos são suficientes para justificarem a criação e manutenção do Núcleo Integrado de Atenção à Saúde da Mulher da 28ª Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro que envolvam programas de atenção à mulher a nível de saúde pública como também dar oportunidade a melhores condições de acompanhamento em relação a outras doenças que incidem neste período, bem como, orientar os cuidados básicos de saúde.
Este programa deve-se basear no alto valor social que representa o atendimento do enorme número de pacientes carentes desassistidas pelo sistema de saúde vigente.